domingo, 23 de novembro de 2008
Novo Espetáculo
Na manhã de sábado, era possível contemplar o trabalho feito pela natureza durante toda a noite do dia anterior. As ruas, os carros estacionados, as coberturas dos prédios e das igrejas, as árvores e, inclusive, os monumentos de Liège foram tomados por uma grossa camada de gelo acumulada pela nevasca.
Com a precipitação constante de neve, andar pelas ruas é, agora, uma aventura arriscada. Além do risco de se escorregar, o ambiente externo tornou-se um verdadeiro 'freezer ao ar livre'. A temperatura média da cidade, durante o dia, caiu para 3 graus. Ao escurecer, por volta das quatro da tarde, hora local, uma da tarde, hora oficial de Brasília, no Brasil, a temperatura reduz ainda mais. À noite, os fortes ventos acompanhados de uma fina nevasca contribuem para uma queda maior da temperatura. A fria sensação térmica torna insustentável caminhar pelas ruas sem que esteja bem agasalhado.
Apesar do frio intenso e da ausência de raios solares, contemplar a neve nas folhas das árvores e nos telhados das velhas construções da cidade é uma terapia, ainda que o clima esteja cinzento. A neve não anuncia somente a chegada do inverno. Ela traz para a cidade um clima diferente. É impossível não associar a presença da neve, também, com o Natal que se aproxima. Para quem nunca havia assistido tamanho espetáculo da natureza, talvez a neve seja uma das mais belas exibições.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Bela ITÁLIA: o país em palavras
O tumulto de domingo teria tudo para transformar minha viagem à Itália em um verdadeiro caos. No entanto, nem mesmo a greve do sistema ferroviário conseguiu transformar em pesadelo minha passagem pelo Norte do país.
Milão, Veneza, Verona, Florença e Pisa foram as cidades visitadas durante os cinco dias de peregrinação pelo "país das massas". A única cidade que estava no roteiro, mas não pôde ser visitada, em decorrência da paralisação dos trens, foi Siena, já que o retorno a Milão teve que ser antecipado para que eu não perdesse o vôo de volta a Bruxelas, na Bélgica, na manhã de terça-feira, 11.
Pelo Norte da ITÁLIA
MILÃO - A capital internacional da Moda é uma vitrine a céu aberto. Na cidade, as pessoas não andam e, sim, desfilam. As modernas galerias tomaram as principais ruas e avenidas de Milão. O que se vê a todo momento são 'outdoors eletrônicos' mostrando as mais novas tendências da moda. Impossível passar pela cidade e não comprar nem que seja um par de meias. Além das galerias, Milão possui uma das mais modernas lojas da Ferrari e é famosa, também, por 'sediar' um dos times mais importantes da Itália, o Milan.
VENEZA - Os belos canais da cidade e suas ruas apertadas impedem que carros circulem em toda a sua área. A cidade, que já serviu de cenário para inúmeros filmes, conserva seus velhos cortiços, igrejas e casarões construídos ao redor dos grandes canais. Outro charme de Veneza está na tradição das máscaras. Por todo lado, vê-se lojas especializadas em sua confecção e venda. Muitas das lojas possuem fotos de celebridades internacionais espalhadas por toda parede como prova da visita ilustre dos artistas a uma das mais famosas cidades da Itália. A bela Veneza é um labirinto urbano. Andar pelos becos venezienses é tão relaxante como descansar à beira do mar. Uma dica para visitar Veneza é ter um mapa em mãos. Sem ele, a visita à cidade pode se tornar em um passeio nada divertido, já que será fácil se perder e impossível chegar aos locais mais visitados.
VERONA - Inicialmente, a cidade não estava no roteiro da viagem. Mas a falta de trens partindo de Veneza direto para Florença obrigou uma escala muitíssimo agradável na pequena cidade de Verona. Aqueles que já leram e releram a obra "Romeu e Julieta", de William Shakespeare, certamente iriam se fascinar com a casa de Julieta, situada por lá. O clima romântico da cidade nostalgia até mesmo os solteiros de plantão. Além de abrigar a casa da jovem personagem de uma das mais famosas obras dramatúrgicas de Shakespeare, Verona conserva um dos coliseus mais antigos da história da civilização. Com ou sem tempo, durante o dia ou à noite, vale a pena conhecer a cidade.
FLORENÇA - Cidade ao norte da Itália que abriga um dos maiores acervos artísticos do Renacimento italiano. Além das imponentes construções históricas da cidade, como o Duomo, Florença possui galerias de pintura e escultura dos mais famosos artistas de todos os tempos, como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Giotto. Florença também se orgulha de ter sido a cidade natal de Dante Alighieri, autor da "Divina Comédia". Uma das obrigações de todo turista que vai a Florença é visitar a casa de Dante. Impossível não se sentir parte da história ao andar pelas ruas da cidade.
PISA - O sossego da pequena cidade italiana é quebrado com o fluxo constante de turistas na região. Apesar de abrigar somente a torre que dá o nome à província, Pisa é um dos locais mais bonitos da Itália. Foi indescritível a emoção de ter me aproximado de um monumento tão famoso como a Torre de Pisa. Na realidade, imaginava que a torre fosse mais alta. Mas, mesmo sendo baixa, a Torre de Pisa encanta a todos os turistas que se dirigem à região.
Itália em síntese
Pela primeira vez, não precisei recorrer ao "fast food" para me manter 'nutrido' durante os cinco dias de viagem fora da Bélgica. Até mesmo o MacDonald's italiano proporciona menus diferenciados. Isso prova a riqueza da culinária do país. Macarrão, lasanha, inhoque e pizza dos mais diversos sabores são as atrações nas mesas dos restaurantes da Itália. O preço das refeições varia em torno de 6 euros. Quanto às bebidas, no país, beber vinho é mais econômico do que tomar uma lata de 33o ml de Coca-Cola.
O mais oneroso ao visitar a Itália são os absurdos preços das passagens de Trem. O fato do país possuir cidades com fortes potencialidades turísticas faz com que a companhia ferroviária local extrapole no valor das passagens. Durante a visita ao país, cerca de 120 Euros foram gastos somente na compra de bilhetes para viajar de trem de uma cidade para outra.
'Apesar dos pesares', um retorno à Itália está agendado para o início do verão europeu. Na próxima visita ao país, desembarcarei em Roma e peregrinarei pelas cidades localizadas ao Sul. Sem dúvida, a Itália não é um país para se visitar somente uma vez. Quem esteve por lá sai encantado e, por isso, é seduzido a retornar.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
A revelação de uma nova língua
A fala do estranho foi tão marcante que, hoje, o gesto do sinal da cruz feito diariamente ao me levantar foi substituído por uma corrida desesperada em busca de um papel e uma caneta para anotar o que havia escutado em sonho. A simples frase, “Perdão, senhor! Eu não sei que horas são, porque não tenho relógio”, dita em francês, teve para mim, o mesmo efeito de uma revelação divina feita por anjos em sonhos, como narrado em diversos trechos da escritura bíblica.
Este teria sido apenas mais um sonho se o estranho não tivesse falado em francês. Talvez, as teorias de Chomsky, que estudou os processos de aquisição da linguagem, prevejam reações como essas em momentos inesperados, como em sonhos.
Pela primeira vez, em dois meses no exterior, a língua francesa invade o meu inconsciente. Se estivesse no Brasil e pesquisasse pelo significado do sonho, talvez algum charlatão até me diria que seria a possibilidade de uma viagem para fora do país. Mas como já estou em solo estrangeiro, interpreto o fato ocorrido, durante o sonho, como sendo a minha integração a uma das línguas faladas na Bélgica. Inevitavelmente, o francês já faz parte da minha vida.
Considero-me, ainda, em fase de alfabetização na língua francesa. No entanto, já consigo ler e entender textos diversos, comunico o essencial com as pessoas, escrevo frases de grande valia para uma comunicação escrita e já ensaio as primeiras sentenças formais para uma comunicação oral utilizando a língua francesa . Aos poucos, o inglês, língua que tem me dado sustentação para a minha integração ao novo meio, vem sendo substituído pelo francês. Sem perceber, tenho deixado a minha fase bilíngüe para me tornar trilíngüe. Creio que, em breve, poderei ter orgulho de dizer seguramente: Oui, Je parle très bien français!
C'est tout!